Princípios básicos da ordem social – Responsabilidade social e competência interpessoal-Paulo Sertek

Os princípios básicos que regem a ordem social são os de solidariedade, subsidiariedade e participação.

A solidariedade estimula cada um a contribuir efetivamente para o bem comum, em todos os níveis da sociedade, principalmente partindo de sua posição, e de seu círculo de influência ou possibilidades. Esse princípio aplica-se às instituições sociais, a cada pessoa singular e a toda e qualquer organização. Torna-se necessário incutir que o homem não está destinado só a viver com os demais, mas sim a viver também para os demais.

Deve haver um empenho de cada um para contribuir para o bem de todos, afastando as justificativas para colocar-se à margem desse dever.

O princípio da solidariedade manifesta-se por meio de obras concretas de serviço aos outros. Assim, os gestores podem promover o ambiente na organização de modo a facilitar hábitos de convivência e solidariedade, por meio da valorização, equilibrada entre o trabalho individual e o trabalho em grupo. Por exemplo, valorizar a competitividade em termos de serviços aos outros, contribuir com o trabalho dos outros, respeitar as opiniões alheias etc.

A solidariedade ajuda a ver o outro, não como um instrumento qualquer para explorar a pouco custo sua capacidade de trabalho e resistência física, abandonando-o quando já não serve, mas sim manifesta-se por meio de obras concretas de serviço aos outros.

Cada um, de acordo com as suas possibilidades, materiais, intelectuais etc., pode fazer render os talentos pessoais em serviço a outros, saindo da carapaça de egoísmo e contribuindo para resolver os problemas do entorno em que vive. Deve começar a mudança por si mesmo fundamentada na própria luta pessoal. Depois, ser a onda que se expande no lago, influenciando positivamente os outros. Não deve limitar-se à ajuda em coisas materiais, mas auxiliar as pessoas a terem acesso aos bens da cultura e à formação espiritual.

O mesmo modelo de relação entre homens deve ser aplicado entre instituições e Estados, com intuito de contribuir para o desenvolvimento solidário da comunidade.

São arbitrárias e injustas as limitações à liberdade das consciências ou às legítimas iniciativas de cada um.

Com isso, ampara-se o direito dos indivíduos e das sociedades intermediárias frente aos possíveis abusos de poder por parte do Estado, impulsionando todos a se preocuparem pelo bem comum e garantindo a liberdade de constituir associações honradas.

Um dos fatores causadores da exclusão social é a impossibilidade prática de se obter a educação adequada para a participação social. A passividade em promover o acesso à cultura e à participação sociopolítica constitui nos tempos atuais uma das injustiças mais evidentes.

O que seria da sociedade se as pessoas que trabalham e convivem entre si fossem passivas e não tomassem iniciativas? As pessoas empreendedoras são atraentes, sobretudo as pessoas proativas, mas que sabem atuar não simplesmente buscando seus próprios interesses. O que mais faz desprender a riqueza da ação da potencialidade humana é o amor. Ele desprende da alma forças criadoras a partir do desejo das coisas boas e dos objetivos de qualidade. Contrariamente ao que alguns pensam, o desejo do bem é mais forte do que o egoísmo. A qualidade de empreendimento dirigido ao bem começa com firmeza e, com o tempo, vai solidificando-se mais. Já as motivações fundadas na busca de si acaba naufragando na perda de sentido, na experimentação da angústia e da tristeza. Esta é o estado de ânimo mais desfavorável para qualquer empreendimento.

Verifica-se a qualidade sobretudo diante das dificuldades, pois trata-se de crescer diante delas e não desistir. Segundo Llano Cifuentes, “As contrariedade representam muitas vezes o álibi que nos aquieta a consciência. Pensamos: quando concebi aquele ideal, quando formulei aquele propósito eram outras circunstâncias; agora, na situação em que me encontro, já não tenho condições de levá-lo a cabo”.

A prática do princípio da subsidiariedade garante que nem Estado, nem sociedade alguma devem jamais substituir a iniciativa e a responsabilidade das pessoas e dos grupos intermediários nos níveis em que estes podem atuar, nem destruir o espaço necessário para a sua liberdade.

O fundamento da subsidiariedade encontra-se na posição central do homem na sociedade: cada pessoa tem o direito e o dever de ser o autor de seu próprio desenvolvimento.

Desenvolver o espírito de subsidiariedade é, na prática, desenvolver a capacidade de decisão e de empreendimento das pessoas. Ensinar a atuar de forma proativa, tomando iniciativa, leva a uma formação para concentrar-se na solução dos problemas e não em queixas inúteis. Esse princípio estimula cada um a empregar os meios possíveis dentro do seu círculo de influência para contribuir na edificação da sociedade em que vive.

Também exige que uma estrutura social de ordem superior não deve interferir na vida interna de um grupo social de ordem inferior, privando-o de suas competências, mas, sobretudo, que o sustente em caso de necessidade e o ajude a coordenar sua ação entre os componentes sociais, com vista ao bem comum. Esse princípio aplicado ao programa de desenvolvimento da cultura organizacional deve promover a capacitação para a análise crítica de situações, a fim de desenvolver iniciativas em prol do bem comum.

Mas o princípio geral de subsidiariedade, que consiste em estimular os organismos inferiores a assumirem a responsabilidade e proverem ao mesmo tempo as formas mais eficazes de delegar funções, à luz do princípio personalista (valorização da pessoa), é um modo marcadamente humano de fazer crescer as pessoas. As pessoas conseguem um autêntico desenvolvimento pessoal somente quando encontram os espaços de liberdade necessários para poderem se desenvolver através do exercício da sua liberdade. Os homens, de acordo com o princípio personalista, são respeitados e promovidos como pessoas quando se permite atuar com responsabilidade. Na empresa personalista haverá uma busca entre a maior liberdade possível e o menor controle necessário.

Como o bem comum resulta da intervenção ativa de todos os cidadãos, deve haver uma participação com empenho de cada um dos membros da sociedade, o que impulsiona todos a se preocuparem pelo bem comum, combatendo as diferentes formas de desinteresse, abstencionismo, acomodamento etc. Sabe-se que os indivíduos somente participam se, de alguma maneira, sentem como próprias as coisas. Parte do interesse pelos problemas sociais desenvolve-se pela informação adequação e quando da abertura à possibilidade de as pessoas cooperarem nas soluções.

O princípio da participação garante a liberdade de constituir associações honradas que contribuem para o bem comum. Procurar a promoção cultural, social e política como meta educativa constitui e maneira de combater todo tipo de deficiências nas relações sociais.

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